Ando sozinho

Poeta no divã

Ando sozinho
feito um botão de rosa
no jardim
no inverno
na Rússia,
que eu nem sei como é.

Sei que ando sozinho
e procuro por algo
que às vezes esqueço,
que eu nunca encontro,
quando ando sozinho.

Vago, não sei se perdido
ou encontrado.

Mas sei que vou morrer;
eu me lembro.
Sei que tudo isso é passagem
e que nenhum mal é pra sempre
e nenhum bem também
não é.

Escrevo por impulso,
não sei por quê.
Escrevo sem saber
o que vai...
Não quero a rima pobre;
eu a recuso.
E o verso é sempre triste
porque só a tristeza...
não quero a outra rima.

E quando há alegria
ela se parece com a tristeza
e eu sigo confuso.

Deixa que um dia eu paro,
um dia eu acho
um caminho
que leve a algum lugar
que eu queira.
Aí eu vou
e nunca mais eu volto.
Ou talvez.
Quem sabe?