O quase amor ou a paixão

Poeta no divã

Agora que só penso em boca.
Agora que só penso na carne tua.
E é na carne mesmo que penso...
É claro que penso no teu jeito, teu olhar, teu abraço.
Agora que se fecho os olhos sinto as tuas mãos no meu corpo.
Agora que amo ainda mais a lua...
Só a lua me distrai um pouco de ti.
Agora que não sou mais poeta;
roubaste os meus versos e me deste a vida!
Agora que me fiz meu, que me fiz teu.
Agora que sou teu porque me tomaste pra ti e eu consenti...
muito mais que isso.
Agora não há mais nada;
cada momento é nada
e a vida é tudo em cada momento.
Agora que não há mais pressentimento
porque há uma confiança absoluta, uma fé.
Agora que há só esta alegria sentida com dor...
por ser real,
mas que nunca deixa de ser alegria.
Agora que há só esta perdição, esta danação,
este vazio infinito: esta plenitude...
... e esta vontade de ficar.

Talvez não possamos ficar sempre aqui...
mas talvez possamos ficar aqui pra sempre...
Já temos pra onde voltar...
Não somos mais sozinhos.