Da cor do azeviche

Poeta no divã

A minha amiga doida
vai embora.

Hoje me dou melhor
com a minha cidade natal;
Junqueirópolis
(já escrevo)
é a cidade dos meus pais.

Parece que eu nem sou daqui,
nem com o tédio me importo mais.

O meu amigo vai morrer.
Eu também vou,
mas em data diferente.

Estou ansioso
pra que ele leia os originais.

O café amarga na boca
e tudo pra mim são arroubos poéticos.

De repente, o asfalto,
que é preto,
reflete a luz do sol.

Será que a morte existe mesmo?