Por João Barcellos

Apenas, aprendi a ter esperança

Leio e escuto o encantamento de “ou vence
o amor / ou perderemos todos”, e, quiçá, isto diga
tudo sobre a personalidade poética do autor.
Sabemos dos outros pelo que expressam intelectualmente
e, mais ainda, quando a vivência é
uma comunicação visual sublimada. Escutemos:
“O amor te revela, te transforma, te salva, te alegra.
/ O contrário também é verdade: / Quem não
tem alegria não tem verdadeiro amor”. O poeta
Drummond de Andrade comentava que um ´dizer
estampado em camiseta diz muito da pessoa
que a veste´, e eu digo que um simples verso estampa
a pessoa na sua magnitude alquímica. É o
que acontece amiúde com Cássio Junqueira, aqui,
o autor em questão no livro Apenas Aprendi a ter
Esperança.
Ele é mais Quintana e Pessoa do que Drummond,
não em mimésis, mas na forma de ´estampar´
o que articula intelectualmente, logo, além
da sua poesia, a prosa também faz emergir o sentimento
da pureza amorosa [diga-se: “não minto
mais pra mim, ou seja, não mais me engano deliberadamente”,
op. cit.], porque é preciso ter a consciência
do eu para determinar “Vá em direção a você
mesmo; / Torne-se quem você é”. E ele o faz. Não
é ele “...o belo narciso que não reconhece o outro
sob as tempestades que lhe dilaceram a alma, mas
a alma exposta em pura filosofia num amplexo de
mundividência” [João Barcellos – in ´Nós, o Espelho
e Francisco Igreja: o Poeta´, RJ, 1989]. Sim, é
este encanto que Cássio Junqueira passa do Eu
para a Humanidade, qual flor que, súbito, surgenos
no limiar do todo vivido, ou a viver.
As pessoas vivenciam uma vida algemada por
preconceitos, por isso, “Libertar-se é a mais difícil
das tarefas... / E quando a gente se liberta... / Liberta
tantas pessoas...”. Eis o conteúdo de poemas,
pensamentos, frases e etc., que Cássio Junqueira
pinçou do seu viver para compor Apenas Aprendi
a Ter Esperança, o livro. E ele o fez sem ser o ícaro
desprevenido, pois, cada verso, cada frase, já contêm
o pensamento que lhes dá o suporte social e
intelectual. Habitualmente, neste campo/oásis, poetas
costumam ser seduzidos pelo sol ardente que
lhes impede a vivência.
É a vida no limiar de si mesma sob a interpretação
filosófica de um poeta, sim, um poeta
escancaradamente solidário, e daí, o amor e a esperança...
BARCELLOS, João
Escritor & Conferencista
Na velha Akut´ia guarani, em pleno Piabiyu,
a oeste da Sam Paolo dos Campi de Piratininga, 2017.